28 de jun de 2010

SAPATINHOS VERMELHOS

Demorei muito para aceitar o convite do Zé, feito no Recado do Zé no último dia 17– isso não é convite, é provocação – para escrever sobre os Sapatinhos Vermelhos, morta de medo.
É uma grande responsabilidade e eu não me senti preparada à época. Agora resolvi topar o desafio e vamos nós...
É uma pena não termos espaço aqui para eu contar com detalhes a lenda de Andersen que é belíssima e cheia de simbologia. Mas não dá, não dá. Falaremos então dos mais evidentes, que já coisa à beça.
Eu, danada de folgada, cheguei a escrever um roteiro dos Sapatinhos à brasileira. Mas como tudo no Brasil, a grana não saiu e o projeto não foi pra frente. Guardo-o aqui com o maior carinho.
Estávamos falando da simbologia dos Sapatinhos...
A história dos Sapatinhos, à primeira vista é super simples, isso só são aparências: jovem órfã em andrajos, comia o que colhia pelas florestas, mas nem sapatos possuía. Aos pouquinhos com suas próprias mãos, catando pedaços de pano aqui e ali fez seus próprios sapatinhos e com eles saiu saltitando pela floresta. Detalhe: eles eram vermelhos e ela os adorava. A cor deve ter mais de um significado.
Um dia colhendo seus frutos pela mata foi abordada por uma carruagem com uma velha senhora que penalizada da situação da órfã, recolheu-a levando-a para casa. Reparem: do estado de pobreza total nossa órfã passa a riqueza repentinamente. Muda seu status social.
Em lá chegando, a senhora pega as maltrapilhas roupinhas da nossa heroína e joga-as na lareira, incluindo os tão amados sapatinhos. A menina ficou inconsolável. Ela adorava aqueles sapatinhos feitos com suas próprias mãos. A velha senhora, para compensar esta perda, leva a menina às compras no dia seguinte. Compram roupas e a menina vê no sapateiro reluzentes sapatos vermelhos, que a encantam.
Depois é o que todo mundo sabe: os sapatinhos adquirem vida própria e saem fazendo a menina dançar sem vontade própria. Ela perde o controle que tinha sobre seus próprios pés a ponto de ter que decepá-los por não conseguir tirar os sapatos colados a sua pele. Aqui, como na maioria dos contos de fadas temos um final brutal e moralista.
Estávamos falando da simbologia desse conto. A mais evidente para mim é a da transgressão. A menina é punida por dançar, por dar asas à alegria. Mas temos outras leituras morais.
Podemos pensar que a punição vem porque alguém (s) se entregou sem limites aos seus vícios: sejam esses de qualquer origem – mudança de status de vida repentina; busca desenfreada pelos prazeres mundanos... Enfim, a pessoa será penalizada por não ter conseguido colocar limites pra si própria. Acho essa mensagem a mais profunda deste belo conto.

2 comentários:

  1. belissima analise

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  2. Concordo.
    Colocar limites é amar.
    Ter zelo, cuidado, viver dentro dos estreitos limites do cotidiano: saber dizer não é amar.

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