29 de dez de 2009

Rua da Matriz – A mudança...

Tudo parecia-me um delírio. Quantas descobertas, quantos esconderijos... o sótão... o porão... a casa cheia de mistérios...

Mamãe conseguiu povoá-la de estranhos santos, terríveis imagens que principalmente à noite me aterrorizavam, me tirando o sono. Mas logo, logo, chegava a manhã, com sol e pássaros cantando, era a descoberta da liberdade, de uma tênue possibilidade de um dia ser feliz.
A rua e seus personagens... acho que os poderia chamar assim, já que de dentro do meu autismo não conseguia ver “pessoas”, não como realmente elas eram. Só enxergava alguém ou alguma coisa quando ela se relacionava estreitamente comigo. Mesmo assim com enorme dificuldade. Eu era certamente a criança mais auto-centrada que acredito ter conhecido. Apesar disso consegui reconhecer naquele estreito espaço de concreto, “pessoas”, mas isso, isso foi pouco a pouco. Arrumei uma amiga. Amiga? Não sei se poderia chamá-la assim. Pois eu também não a via em sua totalidade. Enfim, ela era como minha sombra, ia aonde eu ia, me ouvia falar, fingia ou realmente me entendia? Ela fazia parte de uma família enorme, eram ao todo doze crianças. Famílias como as dela pareciam proliferar ali. Numa outra casa moravam quatorze crianças, e numa outra, doze. Era certamente muito divertido. Carros não passavam com freqüência naquela rua. As crianças se reuniam para jogar futebol, para jogar baleado à tarde. Algo assim como hoje em dia só pode acontecer no subúrbio, ou em cidades do interior. Eu ficava deslumbrada com a alegria e a generosidade daquela gente. Elas simplesmente “viviam” sem muito questionar ou aparentar grandes sofrimentos. Pelo menos era assim que eu as via. Nunca se sabe... toda e qualquer pessoa é uma esfinge. Enfim, era como se a vida me penetrasse pouco a pouco. Eu não sabia direito como, mas tinha a nítida sensação que daquela forma, através daquelas pessoas, conseguiria talvez salvar-me. Salvar-me de quê? Nem eu mesma sabia direito. Da “loucura”, da “morte interna”, talvez. Em todo caso, nada passava por mim impunemente. Era sempre um longo sacrifício. Algum estranho desejo de sobrevivência começava a tomar conta de mim, eu “precisava viver”, e não sabia como.

FESTA NO CÉU

Meu anjinho namora o seu faz muito tempo.

Meu anjinho namora o seu faz muito.
Combinaram uma festa no céu e tudo mais. Festa cheia de estrelinhas. A cadente é soberana.
Nesta festa eles vão casar. Até já me convidaram.
E a você? Você vai?
Eu vou. Quero ver se nesta festa volto a te namorar.
O dia deles seria o nosso. Não é legal?
Acho super lindo nossa historia de amor continuar em céu estrelado.
Nós merecemos poesia pura.

FELIZ 2010!


Desejo a todos um novo ano com muita luz, paz, saúde, harmonia, amor, felicidade, sucesso... Que a energia que rege o universo nos guie e nos ilumine por todo nosso caminho.

Que a lista de desejos de cada um se cumpra.
Que as angústias e tristezas que vêm com o fim do ano, as lembranças de pessoas queridas que não estão mais conosco, os sentimentos de fracasso, as promessas que não conseguiram ser alcançadas possam ser superadas de forma mais leve possível.
E que as oportunidades de trabalho, dinheiro e profissionais em geral surjam e possam ser bem aproveitadas.
E QUE VENHA UM MARAVILHOSO 2010, INAUGURANDO UMA DÉCADA DE MUITAS MUDANÇAS HÁ MUITO DESEJADAS!!!

23 de dez de 2009

ORACION PARA ESTE TIEMPO


Neste período de consumismo desenfreado, em que ninguém parece se importar com nenhuma questão espiritual mais séria e o transcendental “passa batido”, não custa nada ler esta oração simples e belíssima que eu ganhei há anos numa rua em Punta Del Leste e guardo até hoje, quem sabe talvez para mostrá-las a vocês!


Señor, haz que pausadamente yo llene mis días como el mar cubre en calma toda la playa.
Hazme humilde como las aguas cuando silenciosas y dulces avanzan sin hacerse notar;
Concédeme el saber esperar a mis hermanos y el ajustar mi paso al suyo para ascender com ellos.
Dame la perseverancia triunfante de las olas; haz que  cadauno de mis retrocesos sea ocasión de subida; dá a mi rostro la claridad de las aguas limpias, a mi alma la blancura de la espuma; ilumina mi vida como los rayos de tu sol hacen cantar la superfecie de las aguas. Pero, sobre todo, Señor, haz que no guarde para mí esta Luz, y que todos aquellos que se me acerquen vuelvan a su casa deseosos de bañarse en tu Gracia eternamente.
                                                                      AMEN


Dime dónde hay un ser humano y te diré que allí está DIOS.

22 de dez de 2009

Rua da Matriz (Parte 1)

Muito difícil relembrar minha infância. Sinto-me absolutamente bloqueada. Minha memória falha... Sinto a maior parte do tempo, medo. Mas vamos lá, Copacabana: impossível imaginar uma menina mais solitária, mais abandonada, era pelo menos como eu me sentia. Não acredito que tudo isso faça parte somente de minha imaginação. Minha mãe sempre deixou clara sua aversão às crianças. Não queria filhos. Fez isso, segundo ela, para “prender” meu pai, que as adorava. A vida é sempre cheia de mal-entendidos, a maior parte deles, graves. Alguns podem chegar a ser fatais. Poderia ter sido meu caso. Desde cedo estabeleceu-se este estranho triângulo amoroso: eu era apaixonada por esse pai que me adorava e convivia em casa com minha pior inimiga :  mamãe. A vida às vezes arma estranhos roteiros...
Não me lembro de muita coisa dessa época, além de uma enorme sensação de vazio, de solidão, de abandono. Lembro de tardes a fio na janela, assistindo de um oitavo andar a jogos de futebol de areia. Um estranho desenho geométrico.
Lembro também de noites e noites em meu quarto ouvindo barulhos de vozes e bater de panelas que me chegavam da área interna do prédio...

21 de dez de 2009

GEOGRAFIA

Coisa mais doída, dolorida e doida que é separar. Os lábios ainda colados. Os olhos nos olhos. O braço enlaça o laço. As bocas ensaiam palavras vazias de sentido que nada mais são agora.

Que você está aí e eu aqui. Será que existe isso? Um lugar em que eu acabo e você começa?
Terei que me informar com a pessoa mais sábia entre os sábios e mesmo assim, duvido muito que ela saiba isso... Onde geograficamente começam e terminam pessoas que se amam. Porque amar um dia muito, é amar para sempre. Isso eu aprendi. E nunca esquecerei.

17 de dez de 2009

PEÇA “SIMPLESMENTE EU”, CLARISSE LISPECTOR

Minha “braço direito” Ana Laura foi assistir a peça “Simplesmente eu” e ficou louca pra falar um pouquinho das suas percepções...

“Tive o imenso prazer de assistir à peça ‘Simplesmente eu’ adaptada e interpretada brilhantemente pela atriz Beth Goulart. Ela praticamente encarna Clarisse Lispector com trejeitos e vestuários facilmente confundíveis. Alterna momentos de encenação do texto, que é da própria escritora, com momentos em que a interpretação vem na forma de pensamentos, reflexões, confissões de Clarisse.
A atriz tem uma entrega total, uma expressão corporal fascinante, uma leveza... Parece estar planando. Cada movimento seu parece de uma coreografia de balé, tendo total integração com a encenação. Movimenta o texto!
No cenário prevalece o branco, de uma simplicidade sofisticadíssima, com um jogo de luzes se comunicando o tempo todo com a interpretação com o que acontece no palco.
No final a atriz ainda fez uma fala super dedicada de incentivo à leitura como uma arma de conscientização, de reflexão e entendimento do mundo para que então possamos tomar atitudes em direção à sua transformação.
A peça leva a pensar na forma como vivemos, como sentimos, profundamente. Não consigo encontrar palavras pra descrever o quanto mexeu comigo e por que não dizer que me modificou?!
As angústias e satisfações de Clarisse são colocadas de uma forma em que nos remete às nossas próprias questões, nos ajudando a entender um pouco mais do que se passa dentro de cada um de nós, a partir da percepção de que conjugamos muitos sentimentos...”

16 de dez de 2009

“Amei seu blog, mandei um comentário anônimo. Você está escrevendo muito bem, menina!!! Pensou em transformar "A outra" em filme?
Quanto aos aniversário, Natais, etc, penso como você, não são importantes, depois de uma certa idade são repetitivos, chatos. Deveriam existir de três em três anos, assim como o Carnaval.
Quanto aos
pets, não sei viver sem eles, converso com eles, e o pior é que respondo por eles com voz de débil mental.
Foi muito bom ler o que você anda criando! Vou ficar freguesa. Beijo.”

Bia Vasconcellos (Artista Plástica)

15 de dez de 2009

RITMO

O ritmo das ruas, o frio na alma, o medo da loucura, esse meu amor que nunca chega...
Não importa, não quero mais.
Tenho que driblar a dor
Tenho que driblar a dor, mas ela me alfineta a alma.
O vai-vem do trânsito
Sofrer não tem hora, lugar?
Coração bate forte, bate rápido, bate mais
Sinal dos tempos...
Eu envelheço... Tem importância?
Só a depressão crescente
Tenho que driblar a dor da dor, da falta de amor, vazio na alma, pânico presente, vertigem, vontade de morrer e rápido, vapt vupt
Que seja indolor que seja breve...
Alguém falou de uma luz?
Fim do túnel.
Coração que pulsa coração que sente. 
O medo vem na boca, que seca e emudece...
Vertigem.
O sexo pode ser sublime. Pode se tornar religião e de alguma forma, dela se aproxima no que tem de transcendente e eterno. Tentam minimizá-lo, trabalhar sua pequenez. Em vão. Fazer amor pode se aproximar de orar, de fazê-lo em voz baixa ou voz nenhuma. 
O silêncio é de uma força que ninguém é capaz de anular. Não se anula a força de uma prece em silêncio. A força disso é a de uma bomba atômica.

11 de dez de 2009

BLOG DA ROSARIO TAMBÉM É UTILIDADE PÚBLICA!!!

O e-mail do psicanalista Luiz Alberto Py mudou para luiz@albertopy.com.br.

ENVELHECER

Os sonhos me fogem pela janela da alma.
Cor, preto e branco ou sépia
Tento retê-los, mas furtivos eles escapolem,
inútil esforço de mantê-los aqui.
neles sou rainha, escrava, polivalente
uma amante da vida ou massacrada por ela.
Eles me visitam para alertar-me sobre mim
Inútil esforço, porque eles, sábios
fugidios só me fazem visita
para sugerir poesia.
Nada mais.
Pois deveria ser esta a função dos sonhos
Trazer-nos poesia e não espalhar o caos
Que temos interno.
Se eu pudesse pedir algo ao Criador disto aqui,
faria um pedido singelo:
Falo de sonhos suaves, doces, bem comportados
Com os quais acordaríamos com um sorriso nos lábios
e vontade de viver.
Sem sobressaltos nem grandes paixões
Um viver sereno
Esses sonhos que me visitam sem que eu queira,
Sugerem poesia, sim
E da melhor qualidade
Eles são a poesia.
Em estado bruto
Vendem paixões baratas
com homens perfeitos
Cabeça, tronco e membros.
Quá, Quá, Quá
Prefiro o meu
Cúmulo do imperfeito
Acumula defeitos que eu adoro
Assim mesmo o quero
Só pra mim, 
ou não.
Também pra mim.
O quero mesmo assim.
Atual condição desse adorável amor.
‘Que vengan los sueños’.
Os ‘torearé’.
Sonhar com você é ter você,
ainda que pouco.
Ainda que seja 
um romance barato
a prestação.
Eu te quero
a preço de ocasião.
Dói, dói tanto
São estacadas na alma
E tendem ao infinito
O que eu sinto.

8 de dez de 2009

COMO DEIXAR SEU DEPOIMENTO/COMENTÁRIO NO BLOG DA ROSARIO?!

ATENDENDO AOS APELOS DE MUITÍSSIMAS PESSOAS QUE TÊM ENTRADO EM CONTATO POR E-MAIL POIS NÃO ESTÃO CONSEGUNDO DEIXAR SEU DEPOIMENTO/COMENTÁRIO NO BLOG, RESOLVI DEIXAR AQUI PASSO A PASSO OS PROCEDIMENTOS PARA QUE TODOS DÊEM SEUS PALPITES NESTE BLOG. ATÉ PORQUE ESSAS COISAS TECNOLÓGICAS SÃO DIFÍCEIS MESMO. ENTÃO LÁ VAI:

1 – CLIQUE EM COMENTÁRIOS (EM VERMELHO, AO FINAL DE CADA POSTAGEM);
2 – ESCREVA SEU DEPOIMENTO/COMENTÁRIO NA CAIXA DE TEXTO ONDE ESTARÁ ESCRITO “POSTAR UM COMENTÁRIO”,
3 – CLIQUE, PARA SELECIONAR SEU PERFIL, NA SETINHA AO LADO DE “COMENTAR COMO”;
4 – PARA SE IDENTIFICAR ESCOLHA A OPÇÃO “NOME/URL”;
5 – APARECERÁ UMA NOVA CAIXINHA DE TEXTO PARA QUE VOCÊ ESCREVA SEU NOME/IDENTIFICAÇÃO, APERTANDO, EM SEGUIDA, A OPÇÃO CONTINUAR;
OBS: NÃO É NECESSARIO PREENCHER O CAMPO “URL”
6 – CLIQUE EM “POSTAR COMENTÁRIO”;
7 – APARECERÁ UMA CAIXINHA DE TEXTO PARA QUE COPIE O CÓDIGO DE LETRAS E NÚMEROS QUE APARECEU;
8 – CLIQUE NOVAMENTE EM “POSTAR COMENTÁRIO

E PRONTINHO, SEU DEPOIMENTO/COMENTÁRIO JÁ ESTARÁ APARECENDO NO BLOG DA ROSARIO!

4 de dez de 2009

MEU PARAÍSO NA TERRA!!!

Gente, isso eu não poderia deixar de dividir com vocês. Um lugar maravilhoso, que mesmo com toda a correria faço questão de estar ao menos uma vez por mês. Chalés Cachoeira da Luz, logo ali pertinho, em Paraty. E o mais incrível é que qualquer um pode ter acesso.
Clique no link abaixo para saber todos os detalhes, ver mais fotos e descobrir como chegar até esse lugar delicioso!
http://cachoeiradaluz.blogspot.com










3 de dez de 2009

A OUTRA

Tenho por hábito quando vou ao banheiro a noite colocar meus óculos de perto de forma que quando passo pelo meu lap-top checo se entraram novas mensagens. Desta vez, uma em especial chamou minha atenção, pois era toda em francês.

Meu nome é Maria Pilar e morei na França. Intrigada, pois não tenho mais laços com ninguém lá, sentei-me para ler. Era um erro flagrante. Alguém havia trocado de Marias que haviam morado na França, era óbvio.

Pela mensagem ficava claro que o francês que escrevia para a tal Maria, só a havia visto duas vezes e mesmo assim há 20 anos atrás e continuava encantado e queria voltar a vê-la bla-bla-bla-bla essa conversa que só francês agüenta. Caralho! Quanta coincidência, que maravilha.

A pessoa responsável pelo engano fora uma amiga dele brasileira que havia trocado as Marias e os e-mails. Nada era mais oportuno para mim, que pelo e-mail fiquei sabendo que a outra se chamava Maria Laura e tinha um site. Enfim, todas as coisas conspiravam a meu favor.

Sempre vivi de trambiques, golpes pequenos e grandes. Resolvi ali que iria dar o maior deles para sair dessa vida de merda pra sempre. Eu urrava de tanto rir: era tudo tão fácil que mais parecia brincadeira de criança. Resolvi ali, passar por Maria Laura e mudar minha vida.

Estava completamente dura e para isso precisaria de um capital inicial. Resolvi ir conversar com o meu velho, falar que seria a última vez da minha vida, e coisa e tal.

Respondi ao e-mail como se a outra fora e combinei uma conveniente viagem a França onde seria mais fácil passar pela tal Maria Laura.

Descobrir o site da outra foi o primeiro passo e passo 2 resolvi copiá-la em tudo. No passo três mudei de personalidade, virei a Laura, e isso era moleza. No passo 4 já estava mudando até o tom do cabelo e com a grana do velho tomei um “banho de loja”.

Descobri que a pentelha também tinha um blog. Aliás, ela tinha tudo. O que mais faltava pra idiota ter? Escreva e parece que bem passei a acompanhar o tal blog e aos poucos até os trejeitos dela eu copiava. Eu sou bonita, e sem sacanagem, um “porrilhão” de vezes mais que a tal Laura. Se ele fora apaixonado por ela, iria “comer na minha mão”. Descobri também que a outra era casada, maravilha, nenhum problema a vista.

Estava eufórica com a viagem e sentindo já uma pontinha de paixão pelo francês. Eu era malandra o bastante para saber que isso era a coisa que eu mais devia evitar. E uma vez em Paris evitar também todas as “paradas” que eu costumava freqüentar. Dali por diante eu só seria conhecida como Mariá e forçaria Eric a falar português.

Tudo na França transcorreu da melhor forma possível. Eric, como eu previa, caiu de quatro por mim, mas chegou uma hora que ele desconfiaria se eu não voltasse ao Brasil e iria achar que eu era uma “tremenda trambiqueira”. Coisa que eu até sou na verdade!

Imagem é tudo, gente, para os estrangeiros, então...

Havia acontecido uma coisa com a qual eu não havia contado, Eric havia se apaixonado de tal forma que o que a princípio fora um sonho, havia se transformado num pesadelo. Era uma paixão absoluta, tão terrivelmente completa que ele resolvera casar-se pompa e circunstância comigo. Estava tudo muito bom, tudo muito bem se eu a outra fora. Mas as coisas não eram simples assim. Haviam alguns problemas a considerar: se eu me chamasse Maria Laura e ficasse com metade da grana do francês seria perfeito. O que faltava para isso? Tan, tan, tan. Trocar de identidade e rapidinho.

Chamei o meu “clube da esquina” das “antigas”. Eles pediram uma grana preta pelo serviço. Mas também eu já estava montada mesmo. Disseram que o pior fora o passaporte, mas foda-se, contanto que eles sumissem com a Laura, o resto era detalhe.

De posse dos documentos, foi com dor no coração, (mesmo!) que me despedi do Brasil pra sempre. Eu sabia que se aqui voltasse seria chantageada pra caralho pelos “meus amigos”.

Daqui pra frente vou me chamar Maria Laura e estamos combinados. Casamos e seremos felizes para todo o sempre.

Ah! Antes que eu me esqueça, um francês jamais saberá como é bom ser brasileiro.

2 de dez de 2009

Quer saber mais sobre arte e cultura veio ao lugar certo: Blog da Rosario. Por enquanto lá vão duas dicas inesquecíveis para esse verão:ouça ao C. D.de Francis Hime com trilhas para cinema,prestando uma atenção toda especial a duas faixas: "A Estrela Sobe" e "Marcados para Viver"e leia a super cult escritora paulistana Marcia Denser em especial ao livro "Tango Fantasma ".Depois voces me dirão .

30 de nov de 2009


“Na primeira vez eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim e não dizemos nada. Na segunda noite já não se escondem e pisam as flores, matam nosso cão e não dizemos nada. Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta e, porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada."

Mayakovsky

É isso ai, gente. Pode ser muito tenue a linha que separa o respeito do medo. Assim como quando queremos demonstrar nossa amizade podemos ser considerados fracos, pusilânimes. E claro, temos que sempre levar da célebre frase do Guevara: “HAY QUE ENDURECER, PERO SIN PERDER LA TERNURA JAMÁS”. Demonstrar nosso amor e continuar sendo nós mesmos em toda nossa autoridade. E vocês, o que pensam sobre isso?

E esta é nossa enviada especial direto de Paraty (risos), Ana Laura, me ajuda bastante aqui com os trabalhos.

27 de nov de 2009

Um Grito

Te imploro, nunca te implorei nada, nós dois sabemos. Não me abandone, não me deixe a sós comigo. Tenho muito medo de mim. Sou aquela criança de colo que a babá mostrava desde o oitavo andar de um edifício em Copacabana, àquele futebol indistinto na areia. Desde então, meu medo só fez crescer. Só você me protege de mim mesma. O mal que posso me causar é imenso. E não conheço antídoto. O exorcismo talvez fosse uma idéia um tanto bizantina, na verdade. Repito: só você me protege de mim mesma. No aconchego de teus braços, onde através de teu calor, me sentirei a salvo. Única saída. Embora um tanto precária.
Aquele bebê deve aprender a andar, mas ele não quer. Ele sabe que pode ser cruel, extremamente cruel consigo mesmo. Ele sabe, eu sei, você sabe, nós sabemos o que ele é capaz de fazer consigo mesmo e com as pessoas a sua volta. Tremo só de imaginar eu e minha fragilidade ao relento. Necessito de um pique, necessito de um abrigo e você representa os dois pra mim.

Eu posso tornar-me perigosa no meu desalento, sei bem disso.
Você deve achar “ai, que saco”, lá vem ela com mais uma chantagem. Porra, não é e você bem no fundo sabe disso.
A grande verdade é que eu nunca cresci. Psiu, ninguém precisa saber disso. Mas a minha solidão, o meu desespero e a morte rondando são os mesmos de quando eu era uma menininha sem pai, nem mãe.
De todas as formas e maneiras cansei de ferir-me vida afora, sendo sempre minha pior inimiga. A verdadeira dor não é aparente, esses são os piores sofrimentos. Quando não falamos, nem temos coragem de fazer o que agora faço aqui: pedir socorro.
A morte, essa velha conhecida, espreita. Qualquer vacilo meu pode ser fatal. É foda viver assim: equilibrista sem rede.
Cravo uma estaca em meu peito. Tenho que fincá-la profundamente, se não, tenho medo de querer arrancá-la depois.


Comemorações...

Ontem fiz aniversário... talvez prefira não dizer a idade (risos)... inevitável não pensar na vida nesse momento, nela toda, e fazer uma espécie de balanço.
Engraçado lembrar como costumava sentir essa data... quase uma opressão. É, realmente acho que nunca me empolguei muito com esse tipo de festa que a gente, erroneamente, acaba transformando numa espécie de “compromisso com a felicidade”. Natal, Reveillon, nosso aniversário... muitas vezes passamos por cima do que sentimos e pensamos pra agradar aos outros, à família... enfim, dias de comemoração. Pra mim, puro tradicionalismo sem fundamento real, sem sensações verdadeiras, hipócrita mesmo, que quando chega no dia seguinte tudo volta àquela velha ordem-desordem.
Enfim, não estou aqui com isso dizendo que não gosto de festa, comemoração, alegria, felicidade... é claro que amo essas coisas. Porém, exatamente por isso é que defendo a posição de que tais acontecimentos e sentimentos devem ser vividos na sua totalidade, com vontade, espontaneidade.
E por isso tudo, e talvez essa seja uma das maiores vantagens de envelhecer: aprender através das experiências, refletir sobre elas e transformar nossa realidade, é que hoje eu faço exatamente o que eu quero e comemoro as minhas alegrias e festividades à minha maneira, independente se isso vai agradar aos OUTROS. As celebrações têm sido bem melhores!
E já que hoje resolvemos falar a verdade sobre tudo, acho que esse é um conto que caberia bem aqui, que vocês vão gostar de ler pois é muito verdadeiro...


19 de nov de 2009

Simplesmente Gipsy

E tudo começou com uma bolinha branca de menos de um palmo que mais parecia neve e chegou para inundar meu coração já tão endurecido. Chegou de mansinho e em pouco tempo o vi alargado pelo mais sublime dos amores que um ser humano pode experimentar: o incondicional MESMO! Posso atestar que o Gipsy me ama de forma incondicional e eu a ele. Nenhum ser nesse planeta conheceu amor igual. Mas o essencial é matéria da alma, isso só os sábios sabem, portanto não é tangível.

O amor é matéria da alma, isso eu sei. Hoje eu não posso imaginar minha vida sem ele. Meus hábitos mudaram, nem sempre mudanças confortáveis para mim. Exemplo: Gipsy não gosta de ser deixado só. Eu não saio sem ele. Sei que não é muito conveniente, mas é uma mudança, que juro, faço com o maior prazer porque o amo. É fácil? Não é. É simples? Tampouco. Mas o essencial é matéria da alma e o amor também. E dispensa palavras.
Ele é meu filho querido que eu agora, já avó, tive o milagre de ter. Não quero parecer piegas, mas não há como falar desse cachorrinho sem sê-lo.

E evitando usar aqueles velhos clichês, neles recaio inapelavelmente ridícula. Mas não ligo. Portanto vamos a mais um: Gipsy tornou-me uma pessoa milhões de vezes melhor. E lá vai outro: Gipsy é muito mais gente que a gente.

Me fez falar meloso, repetindo coisas de total idiotice, mas me sinto uma idiota feliz que anda pela casa se desviando de bolinhas e brinquedos, me equilibrando para não cair e arriscando quebrar uma perna.

Vocês dirão “ela pirou”. É. Pirei mesmo e adorando ter pirado. O amor tem dessas coisas deixa a gente boba e adorando estar assim. Me apaixonei novamente numa idade inconfessável por um cachorrinho que me acorda com um beijo e de noite, não os dá pois dormimos juntos.

Às vezes ficamos longos fins de semana só os dois. E eu que antes tanto me queixava da solidão, aconselho a quem a teme também: coloque um cãozinho no seu coração!

Foto do Gipsy

E pra começar mostro a vocês uma das maiores alegrias da minha vida, o Gipsy, esse serzinho mais que especial que vocês estão vendo aí em cima e o qual me inspira diariamente através dos bons sentimentos que me provoca. Para tanto o faço na forma do conto que leremos agora. Muitos beijos...




Lançamento

Pois é, vejam vocês que cá estou eu... na internet. Eu que já fui atriz, já produzi cinema, já escrevi peça de teatro e atualmente ouso me aventurar pelo universo dos contos e romances, inclusive tendo um novinho a caminho, agora sinto na pele a necessidade de interagir com o público mais dinamicamente. Não somente para mostrar meu trabalho mas principalmente para me mostrar diretamente, meus gostos, meus anseios, minhas preocupações, minhas alegrias... e é claro de saber também o que pensam por aí. Acredito que a ansiedade será rapidamente resolvida com um contato mais freqüente com as pessoas, diferente de quando tenho que esperar, às vezes mais tempo do que gostaria (risos), com todo o processo de elaboração e lançamento de um novo trabalho até que ele seja conhecido e eu possa ter um retorno das pessoas.
Para isso escolhi esse espaço desejando que dele possamos tirar ótimos frutos através da troca de vivências.
Boa sorte para todos nós!