30 de nov de 2009


“Na primeira vez eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim e não dizemos nada. Na segunda noite já não se escondem e pisam as flores, matam nosso cão e não dizemos nada. Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta e, porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada."

Mayakovsky

É isso ai, gente. Pode ser muito tenue a linha que separa o respeito do medo. Assim como quando queremos demonstrar nossa amizade podemos ser considerados fracos, pusilânimes. E claro, temos que sempre levar da célebre frase do Guevara: “HAY QUE ENDURECER, PERO SIN PERDER LA TERNURA JAMÁS”. Demonstrar nosso amor e continuar sendo nós mesmos em toda nossa autoridade. E vocês, o que pensam sobre isso?

E esta é nossa enviada especial direto de Paraty (risos), Ana Laura, me ajuda bastante aqui com os trabalhos.

27 de nov de 2009

Um Grito

Te imploro, nunca te implorei nada, nós dois sabemos. Não me abandone, não me deixe a sós comigo. Tenho muito medo de mim. Sou aquela criança de colo que a babá mostrava desde o oitavo andar de um edifício em Copacabana, àquele futebol indistinto na areia. Desde então, meu medo só fez crescer. Só você me protege de mim mesma. O mal que posso me causar é imenso. E não conheço antídoto. O exorcismo talvez fosse uma idéia um tanto bizantina, na verdade. Repito: só você me protege de mim mesma. No aconchego de teus braços, onde através de teu calor, me sentirei a salvo. Única saída. Embora um tanto precária.
Aquele bebê deve aprender a andar, mas ele não quer. Ele sabe que pode ser cruel, extremamente cruel consigo mesmo. Ele sabe, eu sei, você sabe, nós sabemos o que ele é capaz de fazer consigo mesmo e com as pessoas a sua volta. Tremo só de imaginar eu e minha fragilidade ao relento. Necessito de um pique, necessito de um abrigo e você representa os dois pra mim.

Eu posso tornar-me perigosa no meu desalento, sei bem disso.
Você deve achar “ai, que saco”, lá vem ela com mais uma chantagem. Porra, não é e você bem no fundo sabe disso.
A grande verdade é que eu nunca cresci. Psiu, ninguém precisa saber disso. Mas a minha solidão, o meu desespero e a morte rondando são os mesmos de quando eu era uma menininha sem pai, nem mãe.
De todas as formas e maneiras cansei de ferir-me vida afora, sendo sempre minha pior inimiga. A verdadeira dor não é aparente, esses são os piores sofrimentos. Quando não falamos, nem temos coragem de fazer o que agora faço aqui: pedir socorro.
A morte, essa velha conhecida, espreita. Qualquer vacilo meu pode ser fatal. É foda viver assim: equilibrista sem rede.
Cravo uma estaca em meu peito. Tenho que fincá-la profundamente, se não, tenho medo de querer arrancá-la depois.


Comemorações...

Ontem fiz aniversário... talvez prefira não dizer a idade (risos)... inevitável não pensar na vida nesse momento, nela toda, e fazer uma espécie de balanço.
Engraçado lembrar como costumava sentir essa data... quase uma opressão. É, realmente acho que nunca me empolguei muito com esse tipo de festa que a gente, erroneamente, acaba transformando numa espécie de “compromisso com a felicidade”. Natal, Reveillon, nosso aniversário... muitas vezes passamos por cima do que sentimos e pensamos pra agradar aos outros, à família... enfim, dias de comemoração. Pra mim, puro tradicionalismo sem fundamento real, sem sensações verdadeiras, hipócrita mesmo, que quando chega no dia seguinte tudo volta àquela velha ordem-desordem.
Enfim, não estou aqui com isso dizendo que não gosto de festa, comemoração, alegria, felicidade... é claro que amo essas coisas. Porém, exatamente por isso é que defendo a posição de que tais acontecimentos e sentimentos devem ser vividos na sua totalidade, com vontade, espontaneidade.
E por isso tudo, e talvez essa seja uma das maiores vantagens de envelhecer: aprender através das experiências, refletir sobre elas e transformar nossa realidade, é que hoje eu faço exatamente o que eu quero e comemoro as minhas alegrias e festividades à minha maneira, independente se isso vai agradar aos OUTROS. As celebrações têm sido bem melhores!
E já que hoje resolvemos falar a verdade sobre tudo, acho que esse é um conto que caberia bem aqui, que vocês vão gostar de ler pois é muito verdadeiro...


19 de nov de 2009

Simplesmente Gipsy

E tudo começou com uma bolinha branca de menos de um palmo que mais parecia neve e chegou para inundar meu coração já tão endurecido. Chegou de mansinho e em pouco tempo o vi alargado pelo mais sublime dos amores que um ser humano pode experimentar: o incondicional MESMO! Posso atestar que o Gipsy me ama de forma incondicional e eu a ele. Nenhum ser nesse planeta conheceu amor igual. Mas o essencial é matéria da alma, isso só os sábios sabem, portanto não é tangível.

O amor é matéria da alma, isso eu sei. Hoje eu não posso imaginar minha vida sem ele. Meus hábitos mudaram, nem sempre mudanças confortáveis para mim. Exemplo: Gipsy não gosta de ser deixado só. Eu não saio sem ele. Sei que não é muito conveniente, mas é uma mudança, que juro, faço com o maior prazer porque o amo. É fácil? Não é. É simples? Tampouco. Mas o essencial é matéria da alma e o amor também. E dispensa palavras.
Ele é meu filho querido que eu agora, já avó, tive o milagre de ter. Não quero parecer piegas, mas não há como falar desse cachorrinho sem sê-lo.

E evitando usar aqueles velhos clichês, neles recaio inapelavelmente ridícula. Mas não ligo. Portanto vamos a mais um: Gipsy tornou-me uma pessoa milhões de vezes melhor. E lá vai outro: Gipsy é muito mais gente que a gente.

Me fez falar meloso, repetindo coisas de total idiotice, mas me sinto uma idiota feliz que anda pela casa se desviando de bolinhas e brinquedos, me equilibrando para não cair e arriscando quebrar uma perna.

Vocês dirão “ela pirou”. É. Pirei mesmo e adorando ter pirado. O amor tem dessas coisas deixa a gente boba e adorando estar assim. Me apaixonei novamente numa idade inconfessável por um cachorrinho que me acorda com um beijo e de noite, não os dá pois dormimos juntos.

Às vezes ficamos longos fins de semana só os dois. E eu que antes tanto me queixava da solidão, aconselho a quem a teme também: coloque um cãozinho no seu coração!

Foto do Gipsy

E pra começar mostro a vocês uma das maiores alegrias da minha vida, o Gipsy, esse serzinho mais que especial que vocês estão vendo aí em cima e o qual me inspira diariamente através dos bons sentimentos que me provoca. Para tanto o faço na forma do conto que leremos agora. Muitos beijos...




Lançamento

Pois é, vejam vocês que cá estou eu... na internet. Eu que já fui atriz, já produzi cinema, já escrevi peça de teatro e atualmente ouso me aventurar pelo universo dos contos e romances, inclusive tendo um novinho a caminho, agora sinto na pele a necessidade de interagir com o público mais dinamicamente. Não somente para mostrar meu trabalho mas principalmente para me mostrar diretamente, meus gostos, meus anseios, minhas preocupações, minhas alegrias... e é claro de saber também o que pensam por aí. Acredito que a ansiedade será rapidamente resolvida com um contato mais freqüente com as pessoas, diferente de quando tenho que esperar, às vezes mais tempo do que gostaria (risos), com todo o processo de elaboração e lançamento de um novo trabalho até que ele seja conhecido e eu possa ter um retorno das pessoas.
Para isso escolhi esse espaço desejando que dele possamos tirar ótimos frutos através da troca de vivências.
Boa sorte para todos nós!