29 de abr de 2010

PRECE



Todos sabem que estou à caça
Quando é lua cheia
Uivo, uivo muito.
É meu apogeu, as pessoas me ouvem ao longe
A lua me ilumina, é meu fio condutor.
Conheço-a como conheço a mim
Todas as etapas: amanheço, entardeço, anoiteço,
tenho a lua em mim.
É através da lua que te enxergo
uma criança ainda
Vamos brincar?
Rasga tua roupa
Vamos brincar de médico
Como quando éramos crianças
Me convida pra dançar
Finge que você é criança
de novo
Vem ser criança em mim
Pula! Pula! Mostra que você
me ama ainda
Que você nunca deixou de me amar
Sua boca suculenta
Úmida
Oferece-se
como uma fruta recém colhida
Sua boca é a polpa da fruta e oferece-se como tal
De novo
Não peça que eu faça sentido
Não peça que seja assim
Não mude nada
Você tem a lua também
Que sorte! Por sermos os dois
Iluminados
Deus salva-me de seus braços
Ou
Faça que eu me acabe neles
Para sempre...

22 de abr de 2010

VAMOS TROCAR DE BEM?

Um amor como o nosso jamais deveria questionamento. Como quando se é criança e o máximo da briga é “trocar de bem ou de mal”. Nós crescemos. Crescemos? Crescemos mesmo?
Vamos crescer mais e juntos? Para descobrir no outro nós mesmos, sábios adultos. Que tal brincar de ser gente grande? Quer ser gente grande comigo?
Você que viveu comigo os melhores e os piores anos da minha vida, devemos esquecer, jogar tudo pro alto e voltar à infância e aos nossos irresponsáveis verdes anos?
Acho que é tarde para crescer e seria uma maldade depois de tudo...
Vamos brincar de ser crianças de novo?
Com você sou criança, sou boba. Amo a ponto de regredir sem medo... às vezes sinto vergonha de ser assim mas não consigo me sentir de outra forma. O suor nas mãos, o coração que bate disparado, ter que passar um milhão de vezes na mesma rua para conferir se seu carro ainda está lá... A inquietação, a timidez e o medo quando o telefone toca... e o pavor quando ele não toca. “Será pra mim?” “Será ele?” “Será que me ama ainda?”
Sou criança ao ponto de, apesar de reconhecer toda a minha fragilidade emocional, continuar me pegando a desenhar coraçõezinhos com nossos nomes perto e achar isso o máximo.
Acho você lindo e SEI que você não é. Mas quem se importa? Eu quero você só pra mim. Tenho ciúmes quando você olha oblíquo para outra e tenho pavor só de imaginar ser trocada.
Quando rompemos os amigos insistem para que eu conheça alguém novo, mas por quê? Você é tudo que me interessa. Sei que estou sendo infantil, imatura, boba, mas não ligo. É o único jeito que conheço.
ADORO que você me faça sentir assim, apesar do sofrimento, da angústia de saber ser muitas vezes tola e ingênua. Na verdade não sei se é bom, mas é o que quero.

19 de abr de 2010

AH, QUE BOM! - CANTO DOS AMIGOS

E como temos a sorte de ter tantos amigos talentosos, hoje o CANTO DOS AMIGOS está em dose dupla! Confiram!


A MENINA E O POETA
Anna Maria Ribeiro

O coração deu um tranco e ela murmurou: eu posso levar. Ele mora tão perto... A tia sorri: ótimo! Vou avisar que vai por você. Ela sai agarrada ao embrulho que lhe abrirá as portas da casa do Poeta. Já o havia visto, muitas vezes, em casa da tia ou da sua própria, amigo que era do pai. Mas sempre em jantares e almoços onde eram tantos os famosos que ela passava despercebida. Agora em seus 14 anos recém feitos, ficava olhando, só olhando. Devorando com os olhos aqueles monstros que eram capazes de produzir tanta beleza. Entre eles o Poeta era o maior. O maior de todos. Idade para ser seu pai, ele tinha, era verdade. Mesmo assim o coração batia mais forte. Sonhava: se me conhecesse, se me conhecesse bem, faria para mim uma de suas poesias. Uma não! Muitas! E num paroxismo de paixão: todas! Quem sabe agora... Vamos estar sozinhos, eu e ele. E na casa dele! O bonde de Laranjeiras a Copacabana transformou-se no veículo do sonho. Numa tela são projetadas imagens dela e dele, perdidos numa conversa emocionada. Olho no olho. Mão na mão! Outro sobressalto: o que é que eu vou dizer pra ele? Meu Deus! Ele vive de palavras e as minhas... Tem que encontrar aquela. Aquela única que vai soar bonito. Instigante. Que vai dar poesia. É isto! Que vai dar poesia. Acorda do sonho quase passando do ponto em que deveria descer. Não o da casa dele. Da casa dela. Tem que se tornar bela para o encontro. Por que é um encontro, não é? Banho, escova de cabelo, perfume “Mais Oui”, tão sugestivo. Pinga algumas gotas no embrulho. Por que não? Afinal passará das mãos dela para as dele. É o elo. A ponte. O motivo. O pretexto. Espera o anoitecer mais romântico e vai a pé. Nem sente o chão. Vai flutuando pensando na primeira frase que dirá docemente provocante: lembra de mim? Instigante e ao mesmo tempo de bom gosto. Não lhe passam pela cabeça as respostas mais prováveis: você é uma das sobrinhas, não é? Ou então “não é a filha de...? O “uma das” e o “filha de” seriam mortais. Mas ela não se dá conta de que poderiam ser estes os ditos. Ao contrário as respostas que imagina são lindas: de há muito observo você. Não tive coragem de... De que, Meu Deus? Não! Vai ser só “de há muito”. E ela dirá provocativa: por quê? Por que me observa tanto? Ai, sim, ele...ah.. ele... Vem a emoção do que se seguirá e aperta o embrulho contra o peito. Assusta-se com a intensidade do perfume. E se ele pensar que foi posto pela tia? Que horror. Por que foi fazer isto! Agora não tem mais jeito. Mas se ela chegar bem perto dele, bem perto mesmo ele vai sentir que é o seu perfume. Fica alguns minutos parada em frente ao prédio. Precisa curtir a emoção mais um pouco. Naquele mesmo lugar quando partir, noite alta, o mundo estará mudado. Nada mais será como antes. Quem sabe vai levar consigo um verso. Pequeno que seja, mas dela. Aperta a campainha e ajeita o doce sorriso. É uma empregada! Que droga! E agora? Corajosa declara: é pra entregar em mãos! A mulher some e ela examina a sala onde ele vive e onde, quem sabe, fabrica os versos andando de um lado para outro, olhando às vezes pela janela. Assusta-se com a voz: como vai menina? Sua tia me disse que vinha. Já está uma moça, heim? As mãos avançam para pegar o embrulho que ela estende em mudo desespero. Cruel, indiferente ao sofrimento dela, continua: estava ouvindo o jogo do Fluminense. Você gosta de futebol? Mas senta aí. Quer um suco? Deixa-se cair no sofá derrotada, humilhada pelo futebol e naufragada no suco. Um poeta?! Pode isto?! Não só pode como piora: e seu pai, como vai? Faz tempo que não o vejo. Passa da conta! Tem que meter pai no meio? Sufocada sente que vai chorar. Levanta-se e diz a frase que nunca imaginou dizer: tenho que ir. Vim só entregar. Ele sorri: você foi uma flor em trazer. Me fez um enorme favor. Uma flor? Quem sabe ainda há esperança? Mas ele continua impiedoso: já está uma moça mesmo. Andando por ai sozinha... trazendo encomendas. Que frase idiota. Cretino, ela pensa. Velho cretino! Sorri falsa: boa noite! Ele a acompanha até a porta que felizmente se fecha antes que as lágrimas comecem a brotar. O desencanto e a raiva conduzem seus passos rua acima. O chão agora é sólido, duro. Já é noite e as pessoas passam apressadas ignorando que ali está alguém que sofre a tragédia do amor traído. Em casa tranca-se no quarto para sofrer. Sofrer bastante. Meio ao sofrimento as batidas do irmão na porta: tão chamando pra jantar! Gente insensível! Como é que se pode comer numa hora destas? Para piorar a mãe havia falado no telefone com a Tia: ela me disse que você foi entregar um livro que ela mandou. Esteve com ele? Antes de responder, pensa: esta família não respeita a intimidade das pessoas. Responde lacônica: estive. E o pai se encarrega de piorar: há tempos não o vejo. Sabia que ele também é Fluminense? E ninguém entende porque ela se levanta derrubando a cadeira. Não sou fluminense. Odeio futebol. E ele é um velho gagá. Subindo a escada em lágrimas, com vontade de morrer, ainda escuta a voz do pai perguntando à mãe: quando é que vão cessar estas crises de adolescência? E por que raios dão sempre na hora de jantar?

CANTO DOS AMIGOS

MEUS ANTIDEPRESSIVOS

KIKI GARAVAGLIA

DEPRESSÃO, ANGÚSTIA, MEDO DO FUTURO, TODAS NÓS APÓS OS 50 PASSAMOS POR ESTAS AFLIÇÕES - A NÃO SER QUE VOCÊ SEJA UM "LEGUME" QUE SÓ EXISTE, MAS NÃO VIVE NEM VIBRA...
FRONTAL, LEXOTAN, RIVOTRIL, SÃO GERALMENTE "OS COLEGAS" CONSTANTES DAS MINHAS AMIGAS. EU, PESSOALMENTE, TENHO A SORTE DE A-D-O-R-A-R LER E VIAJAR; E ESTES SÃO MEUS ANTIDEPRESSIVOS.
QUANDO ESTOU "NAQUELE ESTADÃO", ACIMA MENCIONADO, PEGO UM LIVRO E ME DESLIGO DE TUDO: OU, SE A CRISE FOR MUITO FORTE, COMEÇO A PLANEJAR UMA VIAGEM.
QUANDO LEIO, EU "VIVO" OS PERSONAGENS, SOFRO SEUS DRAMAS, VIVO SUAS PAIXÕES, SINTO O AMBIENTE, SAIO COMPLETAMENTE DO MEU "EU"... JÁ QUANDO PLANEJO UMA VIAGEM, ME TORNO UMA AGENTE TURÍSTICA E PLANEJO CADA DETALHE: ADORO PLANEJAR CADA ETAPA: ROTEIRO, HISTÓRIA DO LUGAR, PESQUISAS NA INTERNET DO PAÍS, PESQUISAS DE PREÇOS, CONEXÕES, E VÃO SURGINDO NOVOS HORIZONTES...
AEROPORTOS? TODO MUNDO ODEIA! EU, ADORO... FICO OBSERVANDO OS PAINEIS DE VÔOS, FICO OLHANDO TODAS AQUELAS PESSOAS COM SUAS MALAS E GERALMENTE UM AR DE FELICIDADE. SE HOUVER UM GRUPO VIAJANDO JUNTO, TIPO EXCURSÃO INDO PARA MIAMI, ENTÃO, É AQUELA ALEGRIA... UM CERTO HISTERISMO: "VOCE TROUXE SECADOR?” "PODE DEIXAR QUE EU TE EMPRESTO... EU TROUXE GUARDA-CHUVA E UM PEDACINHO DE QUEIJO DE MINAS POIS NO ESTRANGEIRO NÃO TEM... E POR AÍ VAI...
NOTO QUE AS PESSOAS MAIS SIMPLES, SE DIVERTEM MUITO MAIS! PESSOAS SIZUDAS, AR ENTEDIADO, É RICO E FINGE QUE TUDO É UM TÉDIO... FICAR OLHANDO O PAINEL DOS VÔOS ME FASCINA... ME DÁ VONTADE DE PARTIR PARA UM DESTINO EXÓTICO, TIPO KUALA LUMPUR, TIMOR, MONGÓLIA... AQUELE PAINEL, NAQUELE MOMENTO, PODE MUDAR A MINHA VIDA DE AVENTUREIRA - LARGO TUDO E ME MANDO...
VIVER A VIDA INTENSAMENTE, AGARRAR TODAS AS OPORTUNIDADES QUE ELA ME OFERECE, ESTE É MEU LEMA. SE POR VENTURA ELA NÃO ESTÁ ME PROPORCIONANDO NADA, AO INVÉS DE PEGAR O FRONTAL OU AQULE BASEADO, EU PEGO UM BOM LIVRO OU FAÇO UM ROTEIRO PARA O CASAQUISTÃO. E ASSIM VOU VIVENDO UM POUQUINHOMAIS!!!

15 de abr de 2010

UM CONTO TRISTE

Eu não queria escrever agora, mas esta história se impôs. Escrever deve ser assim, imagino, trazer essa premência, essa urgência no existir. Quando as palavras e as personagens têm vontade própria e tomam conta de nós, tudo o mais se esvai tornando-se vazio. Eu inventei Érico e imaginei para esse conto milhares de títulos, nenhum bastante convincente. Dizer que criei Érico não é verdade, pois ele existiu e era de carne e osso, mas talvez devesse continuar nessa zona difusa entre a realidade e a fantasia, onde não existem nomes ou é necessário que se nomeiem as coisas.
Caminhei por esse espaço algum tempo, nele mergulhei, tanto que como disse antes, era-me impossível dar um título a esse conto. Pensei em “Um conto lastimável”, “Um conto triste” ou “Um conto de equívocos” e também “Uma história banal”. Isso é para que se tenha noção de quanto tudo dentro de mim ainda se delineava. Mas como deveria dar um nome ao ser que o habitaria, decidi-me por chamá-lo Érico.
Um nome antigo para um personagem arcaico. E agora, de repente, nessa premência a que me referi, tomei consciência de quanto naquele dia o senti triste e abandonado. Porque o percebi passado?
Acredito que um homem que freqüenta Matinês deva ser de outras épocas e por que não? Viúvo. Um vetusto viúvo e aí temos um quadro perfeito de Érico. Dito assim há de se imaginar que a história que agora se inicia trará algo de grandioso, mas essa é uma história banal, beira o vulgar. Numa dessas tardes em que ia ao cinema somente para preencher minhas lacunas, meu vazio, minha carência, fotografei Érico assim que chegou. Afinal, nos parecíamos. Vi-me refletida nele, dois seres a margem, solitários que não tem vida própria e se preenchem da vida alheia, no caso, um filme. Érico não me chamou atenção especial, fotografei-o por fotografar. Tenho esse hábito – gosto de observar sem que me saibam – sempre gostei de filmar. E ali, por sermos só três pessoas naquela sessão de cinema vazia, foi fácil por exclusão prestar atenção nele, o outro homem não exibia peculiaridades interessantes, Érico, sim. Percebi de imediato o quanto era metódico, pois tão logo chegou dirigiu-se à bilheteria e apesar de saber que assistiria a um filme quase que absolutamente só, fez questão de marcar seu assento. Não entendi aquilo. Deve ser uma espécie de louco, sofre da doença do pânico, quem sabe...
Pensei em mais tarde consultar meus alfarrábios Freud de psicanálise. Mas naquele momento abstrato ele ainda não tinha um nome, e era apenas um de nós querendo assistir a uma vaga e improvável sessão de cinema. E mais: ele não deveria ter um nome, como vocês verão mais tarde, me dando razão. Mas sou desastrada assim e atropelo coisas e pessoas, eu mesmo me embrulho. Que tristeza...
Essa forma de viver só dá margem a erros: entramos na sala Érico (que seja, ainda não me acostumei a esse nome), um outro cidadão e eu. Como é hábito aqui no Rio, o lugar estava um gelo mesmo antes de o filme começar. Comentamos o frio, somente nós dois, o outro homem havia ido se sentar filas adiante de nós. Falei que ia me queixar na bilheteria e feito isso, voltei.
Como vocês estão vendo, tudo até então trivial. Érico sentado em seu lugar marcado e eu cadeiras distante dele, mas ao seu lado. Esqueci de dizer que estava muito bonitinha. Bem maquiada e vestida para um compromisso que teria mais tarde. Tentarei encurtar ao máximo essa história melancólica, por pena de mim que a escrevo e de vocês que a lerão. O filme era terrivelmente ruim. E já que havia falado, começamos a trocar idéias. Érico, animado com nossa conversa foi se aproximando cadeira por cadeira. Eu, completamente despreparada para o que poderia acontecer, tentava assistir ao filme. Quando dei por mim ele estava ao meu lado e perguntava se eu morava ali, conversa vai e vem. Falei de sua tristeza e abandono, mas não sei se comentei que ele me parecera alguém confiável, também.
Enfim, julguei que após aquela conversa descompromissada ele fosse me dar seu cartão e ficássemos amigos. Mas inesperadamente ele pegou na minha mão. Foi um choque para mim, um balde de água fria em nossa “possível” amizade. Como uma flecha, puxei minha mão e olhei fixamente para a tela. Senti nele um imenso pudor. Uma devastadora vergonha no existir. E tive pena e tristeza por tudo acabar assim. Dois personagens tão solitários como nós merecíamos uma melhor sorte. Ele inventou desculpas, disse que ia ao banheiro. E sumiu. Sei que nunca mais irei vê-lo. Porque deveria? Nós só nos cruzamos para criar esse conto e para que escrever viesse a ter razão de ser.

12 de abr de 2010

CANTO DOS AMIGOS

Bom, já que eu tenho muitos amigos que escrevem muito bem, e gostaria de dividir com vocês tudo de melhor que leio, resolvi dedicar uma parte deste blog a esses escritos... é o CANTO DOS AMIGOS!

Acalanto do dia 2

Inexoravelmente cumpriu-se o ciclo da vida. Nascemos, crescemos, morremos.
Não conseguimos com facilidade assimilar a terceira parte.
Viemos do pó e a ele retornamos.
Estranhamente ficamos tristes.
Um sagüi cruzando a auto-estrada Lagoa Barra, saído do campus da PUC às 12 horas de uma quinta de sol.
Amêndoas, mangas, bananas, o que mais tivesse serviria de alimento para este sagüi saltitante que vivia placidamente nos jardins da Gávea.
Com a intranqüilidade que só os sagüis têm, ele viu passar alunos, enchentes, alegrias, aniversários, tristezas, namoros, amizades, sempre meditando de longe que tudo na vida é passageiro, inclusive a vida.
Por distração, miopia, enfado, adrenalina ou tristeza resolveu um dia testar os limites da velocidade e cruzar rapidamente a auto-estrada.
A marca da imprudência deste sagüi cruzou minha manhã.
Talvez sumisse de tempos em tempos, sabiamente se isolando sem solidão.
Reaparecia avidamente procurando comida, contato e carinho.
Não tinha estudo, mas era perspicaz e desenvolveu habilidades insuspeitas, de subir escadas, chegar até as janelas com frutas e viajar até as cozinhas.
Sua última aventura foi conhecer os desafios da grande travessia.
Não sei se conseguiu superá-los, mas sei que hoje onde está, no paraíso dos sagüis, grandes e suculentos frutos e infindáveis flores azuis se perpetuam num banquete maravilhoso.
Espero que alguém o coloque embaixo de uma árvore querida e certamente ele caminhará num outro jardim paralelo acompanhado por meu pensamento.

João Siqueira

6 de abr de 2010

4 de abr de 2010

Enquanto você dorme

Enquanto você dorme a vida pulsa lá fora, flores se abrem e pássaros cantam em louvar a você. Crimes acontecem, é verdade, mas a vida vai sempre sobrepujar a morte.
Enquanto você dorme bebês nascem, namorados se beijam, enquanto eu vigio teu sono.
Enquanto você dorme o amor supera a dor que a gente sente e sempre vai sentir, é verdade.
Enquanto você dorme, eu não existo. Porque, você se lembra? Nós dois somos um só, somos a mesma pessoa. Assim, eu só assisto a vida, não vivo. Esperando você acordar.
O dia a dia sempre será duro, o mundo absurdo e louco. Mas porque gostamos dele mesmo assim? Algum sentido deve existir para tudo isso. Guerras eclodem, mas logo ali a paixão ocorre.
Viver deve dispensar maiores sentidos. Ou não? O mistério de viver é mesmo isso, carecer de sentido.
Amigos rompem... A amizade deveria ser mais que isso tudo, deveria prevalecer sobre o todo. Traições... a verdadeira amizade é inquebrantável.
O medo e a dor, o adeus... o mistério da felicidade, opostos que se unem como nós dois! Desilusão, medo, dor, o pranto, tudo isso é a vida também. Esperança, palavra vã. A minha cabeça nunca foi muito confiável.
O verdadeiro amor não pede , ele irrompe em nossas vidas sem cerimônia e não avisa quando vai embora.
Sonho, delírio... a vida sempre prevalece. Ela se impõe. Força maior e imperativa.
Enquanto você dorme a medicina faz descobertas milagrosas e a ciência se desenvolve velozmente...
Ai, meu Deus, como é gelado esse hospital. O médico hoje foi mais animador. Deus meu, não pode ser eterno esse teu sono. Se você acordasse eu juro que nós nunca mais brigaríamos.
Não, não é possível. Ai meu Deus, você não pode dormir para sempre, não, não pode ser eterno esse teu sono.