6 de abr de 2010

Um comentário:

  1. Rosário sobre esta gravura mando o seguinte texto:

    Eleanor Rigby 2010


    All the lonely people
    Where do they all come from?
    All the lonely people
    Where do they all belong?



    Outro dia passeando pelas ruas do meu Rio, numa semana ainda sem chuvas, com o sol ainda receoso de se mostrar, no caminho da praia para o centro da cidade, um dia quase útil, pois se espremia entre feriados, vi Eleanor Rigby caminhando e, com um sorriso triste, olhou para mim.
    Infindáveis Eleanores Rigbys transitam na cidade, esbarram em nós na fila do banco, no restaurante a quilo, na espera do filme ou da peça, na loja de conveniência ou no supermercado.
    Todos nós, homens e mulheres também Rigbys na vida, caminhando pelo Rio.
    Na mesa de um barzinho na Glória, com um copo de cerveja como companheiro, nos corredores da Livraria da Travessa, no píer da Barra olhando o mar, sentado ao lado da estátua de Drummond, num ônibus super apertado ou na Casa França- Brasil vejo mais Rigbys.
    As vezes penso que este aparecimento é sazonal, pois basta entrar no outono e o inverno se aproximar, mais e mais Rigbys vemos cruzando nosso quase ensolarado caminho.
    Quem sabe basta um oi, uma gentileza de abrir uma porta, uma frase, um obrigado para que as cores apareçam onde só parece existir o cinza, imagino.
    Lidar com a falta deve ser um exercício constante que nunca deve nos abater. Picasso num dia inspirado falou: "Não se pode fazer nada sem a solidão."
    Retorno meu olhar para Eleanor Rigby e sorrio docemente.

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