27 de nov de 2009

Um Grito

Te imploro, nunca te implorei nada, nós dois sabemos. Não me abandone, não me deixe a sós comigo. Tenho muito medo de mim. Sou aquela criança de colo que a babá mostrava desde o oitavo andar de um edifício em Copacabana, àquele futebol indistinto na areia. Desde então, meu medo só fez crescer. Só você me protege de mim mesma. O mal que posso me causar é imenso. E não conheço antídoto. O exorcismo talvez fosse uma idéia um tanto bizantina, na verdade. Repito: só você me protege de mim mesma. No aconchego de teus braços, onde através de teu calor, me sentirei a salvo. Única saída. Embora um tanto precária.
Aquele bebê deve aprender a andar, mas ele não quer. Ele sabe que pode ser cruel, extremamente cruel consigo mesmo. Ele sabe, eu sei, você sabe, nós sabemos o que ele é capaz de fazer consigo mesmo e com as pessoas a sua volta. Tremo só de imaginar eu e minha fragilidade ao relento. Necessito de um pique, necessito de um abrigo e você representa os dois pra mim.

Eu posso tornar-me perigosa no meu desalento, sei bem disso.
Você deve achar “ai, que saco”, lá vem ela com mais uma chantagem. Porra, não é e você bem no fundo sabe disso.
A grande verdade é que eu nunca cresci. Psiu, ninguém precisa saber disso. Mas a minha solidão, o meu desespero e a morte rondando são os mesmos de quando eu era uma menininha sem pai, nem mãe.
De todas as formas e maneiras cansei de ferir-me vida afora, sendo sempre minha pior inimiga. A verdadeira dor não é aparente, esses são os piores sofrimentos. Quando não falamos, nem temos coragem de fazer o que agora faço aqui: pedir socorro.
A morte, essa velha conhecida, espreita. Qualquer vacilo meu pode ser fatal. É foda viver assim: equilibrista sem rede.
Cravo uma estaca em meu peito. Tenho que fincá-la profundamente, se não, tenho medo de querer arrancá-la depois.


6 comentários:

  1. belissimo....forte, emotivo, parabens, menina.

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  2. rasga coracao!!!!!!!!!!!

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  3. vc e quem eu to pensando?

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  4. sem duvida, primoroso, tuas palavras fluem no texto, de forma suave, mas contundente, abrindo doces chagas no coração do leitor.

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